Macho pero no Mucho
 
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 14/12/2006

O homem e a sacola colorida

Sempre achei que nós cuidássemos –mal e porcamente- do planeta para que a molecada (nossos filhos) pudessem andar por aí num clima “paz e amor”.

Só que há algum tempo as crianças entraram de vez na sociedade de consumo. Não só compramos coisas para eles, como a petizada nos obriga a adquirir bens que vêem na TV, páginas de revista, nas mãos de coleguinhas, nas novelas etc. Numa inversão de papéis, os adultos parecem mais infantilizados do que seus filhos –que dominam o mundo ao sacarem tudo de informática.

Obedecemos. Mais para que nos parem de chatear do que para agradá-los.

E, aproveitando da nossa fragilidade perante os guris, a tchurma que cuida dos negócios se inspira no instinto paterno e manda ver em descobertas que escapam de minha compreensão.

Eis que a Imortal da Zona Norte me envia uma daquelas notícias dignas do Festival de Besteiras que Assola os Machos (Febeamá). Uma empresa com sede nos EUA lançou uma bolsa de bebê para os homens que têm “uma certa vergonha” de carregar aquelas malas coloridas capazes de guardar as infinitas tralhas dos recém-nascidos.

Para essa rapaziada tímida, a fábrica Passchal produz uma bolsa feita com câmeras de pneus de caminhões e tratores.

Em resumo: o treco é medonho.

Cada um sabe como pretende criar seu rebento, mas o sujeito tem um filho e não tem coragem de usar uma bolsa estampada com figurinhas divertidas ou bichinhos carinhosos?

Sabemos que existem homens, mulheres, homossexuais, bissexuais, simpatizantes e uma lista imensa de gêneros –aceitemos ou não.

Agora, o sujeito precisa comprar uma sacola que lembre um pneu para provar sua masculinidade? O que é isso, companheiro?



Sacaneamos os metrossexuais justamente pela necessidade que eles têm de participarem da sociedade de consumo e de provarem a cada segundo que são “homens sensíveis”.

Essa história de ter que provar algo... Sei não.

O mercado (muito esperto e sedutor) já entendeu que alguns machos por aí estão preocupados com o que dizem sobre eles. E começam a produzir essas tranqueiras que supostamente ratificariam a macheza de um cabra.

Queridos, infelizmente sou obrigado a avisar que essa coisinha de levar os pertences de seu filho numa bolsa diferente da mamãe só contribui para o preconceito e para o extermínio das piadas politicamente incorretas -o que é chato pra cacete.

Você está com vergoinha da bolsinha cololida é, meu chuchu? Isto é pura metrossexualidade, meu.

Imagine sua vidinha macha daqui a dez anos. Seu filho finalmente cria coragem e te chama para um papo adulto.

FILHO – Pai, por que você usava uma bolsa feita com pneu de caminhão para levar minhas coisas quando eu era bebê?

PAI – Ora, filho... Isso faz tanto tempo... A África ainda existia e o nível dos oceanos estav...

FILHO – Não me enrola! Naquela época, todos os pais andavam com bolsas coloridas, como as da mamãe. Menos você.

PAI – Ora, filho... O papai não queria ser motivo de piadas. Poderiam achar que eu era homossexual.

FILHO – Isso é ruim?

PAI – O quê? Terem jogado a bomba na África?

FILHO – Não, pai... Acharem que você era homossexual... Você era?

PAI – Claro que não, porra! Por isso usava uma bolsa feita com pneu de caminhão e costurada com fibra de cânhamo. Para provar que não era gay!

FILHO – Ahhhh... Precisava provar... E hoje?

PAI – Hoje o quê?

FILHO – Ué. Você não usa mais a mochila de pneu... Você é viado?

PAI – Por hoje chega, né? Vamos jantar... E fala pra sua mãe procurar aquela sacola de pneu... Quero que você use na escola.

E assim tropeça a humanidade. O homem nem mais é capaz de ter orgulho de seu filho. Precisa antes embrulhar a criança num manto que prove a masculinidade do papai.

Protejam o futuro e pensem um pouco antes de comprar essas aberrações. E salvem as piadas sobre homenzarrões carregando sacolas coloridas lotadas de brinquedos infantis.

Escrito por Careca às 20h18

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 13/12/2006

Morre Pinochet: o inferno está em festa!

Hoje me dei conta da morte do abominável ditador chileno Augusto Pinochet e como não poderia deixar de ser vale um recado àqueles que querem dar a entender que a besta-fera fez algo de bom ao Chile: o inferno está em festa com a chegada deste senhor às profundezas, não há dúvida. E se não me engano as sessões de estupro ao morfético e lazarento senhor, à moda da ditadura que ele instalou em seu país, devem estar apenas começando.

O crápula foi incinerado na cidade litorânea de Concón, ontem (12), como não poderia deixar de ser. Afinal, intimidade com o coisa-ruim e com o fogo e as labaredas do mundo de baixo ele tem há muito tempo.

Como se não bastasse o insulto a inteligência universal, graças a complacência de alguns que teimam em dizer que o escroque foi bom ao Chile, seu cortejo foi acompanhado por uma comitiva com 8 carros militares, provavelmente proxenetas, que mamaram nas tetas do Estado enquanto eram amigo do rei.

Digo isso em alto e em bom som, pois não trocaria a mais horrorosa e corrupta democracia por uma "boa" ditadura, pois todas elas tornam-se modorrentas e canhestras com a ausência de um debate franco com diferentes pontos de vista.

De novo, não há ditadura boa, assim como não há algoz simpático e produtivo. Aquele que tenta cercear a liberdade do outro quando não é incapaz de criar, inventa tamanhas ignomínias que tornaram possível a existência de gente da estirpe de Hitler e sua turminha que deve estar sendo dilacerda no inferno, nas mãos do próprio Diabo: os nazistas.

Como diria o Karnak, de André Abujamra, em uma música que já usei por aqui: "somos todos filhos de Deus, só não falamos a mesma língua".



Escrito por Gordo às 16h15

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O bispo do ano

Nosso homem (ui) na Europa envia mais um texto explosivo –ou, como diriam os machos do século passado, “nitroglicerina pura!”.

Como se não bastassem os problemas legais enfrentados por este sítio, o intrépido sir Big Ben resolveu cutucar (sem duplo sentido) um bispo londrino.

Assim, o repórter e articulista menos metrossexual do planeta começa a publicar as infindáveis listas dos melhores de 2006. Ou seriam “os piores”? Leia você mesmo.




O BISPO DO ANO

Por Big Ben

O calendário do pub indica que se aproximam as festas de fim de ano, então está na hora de começar a fazer piadas sobre o saco do Papai e de compilar as listas dos melhores de 2006. Dou o pontapé inicial às premiações do MPNM selecionando o simpático Tom Butler, de Londres, como Melhor Oficial de Ordens Religiosas (Cristãs ou de Outras Congregações).
Butler é o bispo da paróquia de Southwark e na semana passada mostrou que, apesar de seus 66 anos e de ter passado a maior parte da vida usando roupas bem suspeitas, continua desempenhando com galhardia as atribuições do macho moderno. Ele foi uma animada recepção de Natal na Embaixada da Irlanda, tomou umas e outras, mais umas e mais outras, e ao deixa o recinto, talvez afetado pela azeitona de uma empadinha, acabou se perdendo pelas ruas de Londres.

Fazia um frio de rachar catedrais. Nada mais compreensível, portanto, que, ao ver um carro destrancado, e ainda por cima uma Mercedes, o bispo não tenha pensado duas vezes antes de se instalar no banco de trás e tirar uma soneca. O alarme do carro tocou, e logo o proprietário, acompanhando de um bando de sequazes, surgiu à janela pedindo satisfações. “Sou o bispo de Southwark, e este é o tipo de coisa que eu faço”, rosnou Butler.

Tratava-se de uma chusma de infiéis, porém, com os quais se mostrou inútil qualquer tipo de arrazoamento. O bispo foi retirado do carro, não sem antes apresentar feroz resistência, e acabou de cara no chão. Ao deixar o local, cambaleante, o bravo Butler apresentava no rosto, como prova de seu martírio, um rastro de sangue.

Até aí nada demais. O que fez o nosso bispo garantir o prêmio supracitado foi sua reação no dia seguinte. Na melhor escola do macho impenitente, negou qualquer conhecimento sobre o caso.

“O que aconteceu com a cruz que vossa excelência estava carregando ontem na festa, sr. bispo?”

“Não sei. Sumiu.”

“E vossa agenda eletrônica, e vosso telefone celular?”

“Boa pergunta. Acho que fui roubado. Sacristão, avise a polícia.”
Ele gostou da desculpa e logo estava denunciando o roubo aos fiéis em pleno sermão. Mas, quando o caso começou a ficar mais claro, a turma começou a duvidar da palavra do nobre prelado, e ele teve que usar outra tática clássica: mandou ver uma palavra comprida para confundir a patuléia.

“Não estou em condições de dizer dogmaticamente o que aconteceu”, disparou, surrupiando-se enquanto repórteres, fiéis e carolas consultavam o dicionário.

Grande bispo. Sabe-se lá o que ele ainda está conseguindo esconder. E por favor, entenda-se que o pobre rapaz não tinha outra saída: bispo anglicano pode casar, e a patroa estava em casa esperando uma satisfação.

Escrito por Careca às 13h58

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 12/12/2006

Ahhh, as coroas!

Meus caros leitores e minhas prezadas leitoras devo confessar-lhes que há um fenômeno que há tempos me atormenta: são as coroas gostosas, isso mesmo coroas gostosas, saradas, malhadas, bronzeadas, vitaminadas e cheias de amor para dar.

E não pensem os garotões afoitos, coisa tipicamente da idade ou falta dela, que uma mal dada será suficiente para saciar uma coroa dessas, literalmente nem a pau Juvenal, elas querem, aliás exigem, 3 bem dadas do James Bond que lhes apontem a pistola, são uma dádiva da natureza, é bem verdade que com o apoio da medicina estética, isso para não falar da reposição hormonal.

Elas querem sexo, muito sexo! Bradam aos 4 cantos para quem quiser ouvir, são uma delícia. É ótimo testemunhar isso, não necessariamente "in loco", se é que me entendem, mas nas portas dos salões de beleza, nas portas das escolas ou nas academias e nas festinhas da "firma".

As coroas desse tipo se divertem com a vida, coisa que muita gente aos 20 ou 30 anos é incapaz de fazer. Cheirosas, bem vestidas, às vezes sumariamente vestidas, algumas bem empregadas, outras madames de tudo, são um colírio a parte para um mundo que nos tem sido tão cruel e árido em tempos de tudo, argh!, tão politicamente correto.

Elas não andam, flutuam sobre o mundo com a beleza de quem já encaminhou os filhos e sabem que a missão, ao menos em parte, está cumprida. Daí, sobra o que?

Diversão e hedonismo, não necessariamente nessa ordem. A antiga menina do Secundário, já se vão mais de 3 décadas que não se usa essa palavra para designar o Ensino Médio, quer se divertir e quem pode culpa-la?

Afinal, creio eu, com base em uma observação não metodológica e totalmente empírica, que essas pequenas não puderam viajar com seus namorados, não tinham tanta pornografia a um click de distância, e com certeza adoraram Paris Texas com toda aquela história de "peep show".

Vou citar algumas beldades potencialmente deste tipo: Sophia Loren, Gina Lollobrigida, Beth Faria, Suzana Vieira, Ana Maria Braga e muitas outras.

Meninos adoremos as coroas, sim, vamos adora-las e diverti-las com aquela reverência maligna digna do catecismo de Carlos Zéfiro, um gênio à maneira bem brasileira.



Escrito por Gordo às 13h57

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 11/12/2006

Manual: "A arte de olhar decotes"

Foi o Luís Fernando Veríssimo quem disse que com “decote e pausa” as mulheres conseguem vários feitos.

Imaginem a Mônica Bellucci usando um vestido criminoso e pronunciando algo como “posso chupar o seu... picolé?”.

Não resta dúvida. Elas têm as armas. Nós o escudo. Cabe escolher a hora certa de abaixar a guarda ou correr para o abraço.

Já falamos aqui sobre decotes, seios, mamas, as Torres Gêmeas do prazer etc. Um leitor aproveitou nossa bondade e pediu conselhos gratuitos sobre “como olhar os peitos das meninas sem ser desrespeitoso ou mal interpretado”.

Quanto ao segundo item, os homens podem ficar tranqüilos, pois sempre serão pessimamente interpretados. Elas mostram um pouco. E nós queremos apreciar um bocado. Há um jogo aí que deve ser rigidamente obedecido.

O negócio é sublimar o olhar, capturar o momento certo e JAMAIS ser pego no flagra.

Como?

Vamos para mais um tópico do “Manual do Gorilassexual”.

COMO OLHAR DECOTES EM LOCAIS PÚBLICOS

1 – NO ELEVADOR
Invariavelmente elevadores são excelentes lugares para encontrarmos seios instalados em voluptuosos decotes. Não sei o que acontece, mas elevadores atraem as mulheres que adoram ostentar os seios. Praticamente uma cela, uma clausura, com botões piscando e um constante ranger de cabo de aço; sem dúvida, um local pouco convidativo para um flerte mais arriscado.

Quando estamos em um elevador, vivemos doces segundos de constrangimento, mirando com fúria a irritante luz do teto –enquanto imaginamos como seriam formosos aqueles peitos balançando conforme o sobe-e-desce do ascensor.

Truque: deixe cair no chão tudo o que estiver segurando -cuidado apenas com ovos, potes de geléia e KY. Olhe somente nos olhos da donzela, peça desculpas e vá diretamente para o chão (NÃO ATAQUE OS SEIOS AINDA!). Comece a recolher a tralha. Murmure algo –“como sou distraído”, “que coisa chata”, “puta-que-o-pariu, que bela merda!” etc. A menina, constrangida, ficará de olho no teto. Sem a vigília, você poderá lentamente se levantar e –de baixo para cima- ver com vontade (e por longos segundos) os seios mais charmosos daquele pedaço de terreno.

Por isso sempre carrego um livro. Não para ler, mas para jogá-lo no chão de elevadores. Prefira os títulos que permitam a tática e ainda levem para assuntos pós-olhadela –poesia, auto-ajuda, Paulo Coelho, bobagens que ligam religião a negócios etc.

Apenas use o bom senso. Deixar os bagulhos caírem mais de três vezes no intervalo entre dois andares pode levantar suspeitas.

2 – NO BANCO
As caixas que trabalham em bancos geralmente estão atrás de balcões, onde apóiam com delicadeza seios e promessas de aventura. Não se engane. É uma armadilha sórdida aplicada pelos grandes banqueiros.

Os espertalhões sabem que não existe Prozac capaz de nos manter calmos dentro de uma agência bancária. Mas já inventaram mamas e decotes.

Você, transtornado por terem cobrado R$ 45 por um extrato, finalmente consegue chegar até o caixa. E encontra a visão do paraíso, a incontestável beleza de seios arfando desejo. É só a pequena falar “pois não, em que posso ajudar?” e você passa a elogiar a fila, as mínimas taxas de administração de seu cartão, o tempo chuvoso, a amabilidade do gerente etc. Conheço alguns machos que pediram empréstimos a juros pornográficos apenas porque a caixa tinha peitos ma-ra-vi-lho-sos.

Creio que vocês já sacaram o recado. JAMAIS OLHEM PARA OS DECOTES DAS MENINAS QUE TRABALHAM EM BANCO. É um terrível estratagema para dispersarem nossa revolta. Eu sei que é pedir demais. Mas é para seu próprio bem. Saia de lá direto para algum elevador e desconte o olhar reprimido.


3 – NO TRABALHO
Não só a dona Marta é casada com o chefe, como trabalha na sua repartição e aparece com decotes ousados. E a patroa é deslumbrante e simpaticíssima. Que mal há num olhar? Arranca pedaço? Bem, eu diria que arranca sim. E um pedaço precioso da sua anatomia.

Mas é possível driblarmos a moral e pecarmos um pouco. Esta dica vale também para apreciarmos os decotes das esposas e mães de amigos. Jamais você será chamado de estúpido -ou acusado de assédio sexual- se seguir uma única regra básica: elogie as roupas da moça enquanto degusta demoradamente daquele suculento pedaço de peito.

Num tom meio Gianechinni meio Jece Valadão aborde a mocinha e comente algo assim: “Nooossaaa... Minha namorada tem um vestido igual ao seu... Mas o dela... Acho que é rosa... Eu prefiro azul-turquesa assim, que você está usando... Parabéns. Se ela visse ia ter um treco... É de qual loja?”.

Volte ao diálogo acima e observe que você conseguiu pelo menos uns 15 segundos olhando intensamente para o decote. E ainda caiu nas graças do interlocutor.

Claro que o discurso deve ser bem ensaiado. Decore as falas, pois no momento da abordagem você estará apenas pensando em se lambuzar dentro do paraíso. O cérebro tem que estar livre para registrar a imagem dos seios. Seu palavreado deve ser automático e firme.

Atenção: a tática só funciona se você encaixar algumas palavras como: namorada, mãe, esposa e noooossssaaa.

4 – NA RUA
Leiam o capítulo “A Arte de Olhar Mulheres nas Ruas”, já publicado neste sítio.

Tenho certeza que voltaremos ao tema, pois diante de um decote, deixamos de existir.

Escrito por Careca às 15h23

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 06/12/2006

Saiba tudo sobre o neocafajeste

É sempre assim. Em tempos de miséria intelectual, social e sexual, surgem os falsos messias, os Jesus de ocasião, os santos de pau (com trocadilho) oco.

Em época natalina então, encontramos um falso profeta e um presépio de picaretagem por esquina. Por isso, meninas, cuidado. Farejo no ar o NEOCAFAJESTE.

Guardem essa nomenclatura: neocafajeste. Repita baixinho, pra decorar: neocafajeste. Escreva no papelzinho cor-de-rosa que você sempre carrega para anotar o telefone daquele príncipe desaparecido: neocafajeste. E capriche na letra e use cores berrantes.

Vou aplicar o didatismo das folhas.

O que é: neocafajeste é o cidadão que se aproveita das trevas para dar porrada por aí e bancar o machão in-natura. Um tipinho desagradável que não encontrava guarida em nenhum dos mundos, mas agora se atreve a sair da toca em busca de sangue, suor e lágrimas.

Não é segredo pra ninguém –talvez só para as editoras que insistem em nos recusar- que os metrossexuais e as frescurites dominam grande parte do planeta. Na ditadura dos creminhos e da sociedade desprovida de gêneros, o politicamente correto serve de cartilha.

Só que toda ação gera uma reação. Isto eu lembro das aulas de física lá do Santo Estevan. Recordo também que usei a mesma proposição para roubar o beijo de uma pequena. Mas deixemos a enrolação para outro artigo.

Acontece que hoje os homens estão queimando cuecas boxer por aí. Cansados de tanta bobagem –observem que não uso o termo “viadagem”- esvaziam as últimas latas de cerva e partem para o ataque.

Este sítio faz parte desse movimento antropológico e vibrante. Somos espécies de Proust em busca da virilidade perdida. Sartres do novo milênio. Nietzsche zoando o bem e o mal. Darcys Ribeiros gritando “viva o gorilassexual brasileiro”. Ou seja, temos um baita embasamento teórico. Apostamos na liberdade de expressão, nas piadas sacanas e na ironia gostosa.

Sabemos que não dá pra bancar o machão das cavernas. Essa história de puxar a garota pelos cabelos já era. Não tatuamos a bunda nem eliminamos as rugas, mas compramos flores e abrimos a porta do surrado veículo.

A gente faz o que pode. Embaralha o jogo e tenta garantir nossa barriguinha de cada dia. Cada um na sua. E todos juntos na hora do bem bolado.

Aí surgem os neocafajestes. Sujeitinhos arrogantes, desprovidos de inteligência e metidos a sabichão. Eu sei que você conhece muitos jornalistas com essas características, mas eles não são necessariamente neocafajestes.

Este surge das cinzas, como uma Fênix que cospe veneno. Ele observa que a humanidade está carente de um pouco de macheza e banca o salvador.

O neocafajeste é um Hitler borra-botas, um Stálin da guerra dos sexos, o Mao do século 21, o Pol Pot dos trogloditas.

Quando tudo parece perdido, ele manda ver nos tabefes, dizendo que a terra precisa ser semeada com um pouco de grosseria.

E, com as pequenas carentes, eles se lambuzam e dominam o coreto. Não caiam nessa.

COMO RECONHECER O NEOCAFAJESTE

O neocafajeste acha que tudo se resolve na pancadaria e adora salpicar de palavrões o seu discurso. Com grande carência lexical, tudo pra ele é “do grande caralho”. Quando não entende algo, proclama um “foda-se” e se retira.

Não lê, não vai ao cinema e não trepa. Pra ele, absolutamente tudo “é coisa de viado”.

O neocafajeste tem obsessão pelo próprio corpo. Acha que pode curar as chagas de todos seus antepassados. Seu mantra é “ganhe dinheiro, seja do mercado, seja herói”.

De vez em quando folheia livros de auto-ajuda. Não torce pra nenhum time de futebol (“coisa de viado”). Não sorri (“coisa de viado”). Não faz uma gentileza (“coisa de viadíssimo”). Não gosta de viado (“coisa de viado”).

Pensando bem, o neocafajeste tem uma estranha obsessão pelos viados.

Para eles, ser homem é repetir os fracassos e cultuar as cagadas.

Cuidado. Esses neocafajestes não são homens de verdade. Têm lá suas barbas, seus bíceps e levam um e outro lixo pra fora. Mas carregam toneladas de ignorância no estômago.

Começo a observar alguns nas ruas, sem focinheiras. E felizes da vida, pois a tchurma está sentindo falta de macho nas paradas de sucesso.

Cuidado. Em breve, aqui no MPNM, você acompanha um emocionante relato de uma vítima dos neocafajestes.

E, se souber de algum atacando nas redondezas, pode nos escrever que levaremos o caso para as autoridades competentes.

Escrito por Careca às 17h08

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Enchente, bunda e topless

Sabe nestes dias de temporais que alagam a cidade lembro-me do mar e ao me lembrar dele inevitavelmente lembro-me de biquínis, que por sua vez me fazem imaginar uma carnuda e suculenta bunda presente no entorno de qualquer biquíni que se preze.

Apesar de alardearmos os dotes de nossas pequenas nessa área, é bom dizer que em qualquer parte do mundo de Brighton, aproveitar a piada agora que temos correspondente na Inglaterra, passando por Lacanau, deslizando pela Costa Malfitana, nas praias pedregosas da Grécia até as ilhas baleares na Espanha, podemos encontrar maravilhosas garupas sedentas de amor nas mais diferentes línguas e com as mais diferentes intenções e em muitos destes lugares ganhamos de quebra peitinhos lindos à mostra, o glorioso topless.

 Verdade seja dita, Ipanema é hour concour em termos de traseiro e unanimidade mundial eleita por brasileiros, italianos, argentinos e o resto de branquelos adoradores de bundas dignas de um retrato, uma mordida ou até mesmo aquele tapinha cheio de amor para dar. Mas por que nossas mulheres, famosas ao redor do mundo por sua liberalidade, não mostram os peitinhos como as européias?

Eu tenho uma teoria, que é baseada na idéia da Hegemonia da Bunda. Como todos devem saber, bunda é uma palavra de origem africana, nossas taras por ela reflete nossa formação Casa Grande e Senzala e por isso como reza o cânon de qualquer marqueteiro ninguém é bom em tudo, por isso as nossas mulheres não mostram os peitos, sabem essa regra básica onde menos é mais e não se fala mais nisso.

Vocês já perceberam a maravilha de sonoridade da dita cuja, é uma delícia, ora bunda é praticamente auto-explicativa afinal tem uma cadência, que só quem passou anos de praia em praia observando e tentando as mais diferentes abordagens vai entender o que quero dizer, portanto metrossexuais esqueçam este texto não é para o vosso bico, afinal vocês perderam maravilhosos exemplares enquanto preocupavam-se com o anti-rugas, o óleo de cabelo e o bronzeador acelerador .

Há males que vem para bem, paulistanos assim como eu, desculpem-me falar de algo tão bacana em meio a tragédia de tantas famílias, mas aqui nosso objetivo é sempre o mesmo: relaxar e gozar.



Escrito por Gordo às 15h28

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 04/12/2006

Hay que endurecer (e sem ternura)

Passei uma semana na Argentina lançando as bases latino-americanas da revolução social proposta por este sítio.

Caso você ainda não tenha percebido, somos os responsáveis por difundir em solo brasileiro as teorias do novo macho (chamem de gorilassexual, Rodrigo Santoro ou troglodita mesmo).

Cansados de viver sob os domínios metrossexuais, abandonamos por instantes as latas de cerveja -e o sexo pago- e partimos para retomar o poder.

Para outros esclarecimentos, leiam o másculo artigo do companheiro Gordo (“Macho Pero No Mucho é o que, afinal?”).

Uma de nossas características é o egocentrismo e a megalomania. Por isso, não só atuamos fortemente do Oiapoque ao Chuí, como traçamos as mulheres dos vizinhos. Quer dizer, também agora entramos com bola e tudo em outros rincões da América Latrina.
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A invasão teve início por esses dias em Buenos Aires. Durante missão secreta, bebi vinhos baratos, assisti a shows de tangos legítimos, engordei dez quilos, visitei o estádio do Boca Juniors (ou era do River Plate, não me lembro), comi seis ou oito bois mal passados e observei o jeito de ser e de viver das pequenas portenhas.

E, obviamente, comprei um dicionário de palavrões. Excelente aquisição. Quem quiser o título completo, é só pedir. Além de aprender expressões fundamentais para a sobrevivência, como “vení chupá-me la pija, pobre infeliz”, há verbetes assim:

LECHE – f. fig. Sêmen “Te voy a llenar el culo de leche hasta que cagues crema pastelera, hijo de puta”.

Os caras são bons.

O mais afoito logo quer saber: “por que raios começar a revolução MPNM por Buenos Aires”? Ora, queridão, em qual cidade do mundo TODAS as bancas de jornal estampam pôsteres do Che Guevara e do Hommer Simpson? Lado a lado?

Em qual lugar do mundo um sujeito imune a viadagens como o Maradona seria tão cultuado?

Em qual canto deste planeta dançam tango só pra encoxar las chicas?
Onde mais o Menem é tripudiado 25 horas por dia?

Por lá, esse negócio de metrossexualismo, creminho e sopinha não pegou. A tchurma gosta do Chávez e do Chavito, cultua a loucura do Borges e bebe cerveja no almoço e vinho no jantar.

Já no aeroporto internacional de Ezeiza fui saudado aos pontapés, de forma macha. Várias vezes me xingaram nas ruas (apenas para marcar território) e sempre que pedia um tostado me olhavam feio. Perfeito.

Enquanto isso, observava todas as mulheres sendo xavecadas, abordadas, olhadas e assediadas. Gênios.

Trocamos (sem trocadilho) experiências profícuas e pertinentes.
mara
Em breve estenderemos nossos tentáculos por toda a América Latina. Meu workshop foi um sucesso. Digo que nem mesmo no lançamento deste sítio encontrei tantos amigos e pessoas interessadas em nossa vã filosofia.

El Gordo e El Carecón já são espécies de Bolívar do novo século. Hay que endurecer, siempre. E esquecemos esse negócio de ternura.

Viva la revolución MPNM!

Existem muitas pessoas lá fora querendo um tabefe amigo.

Para não dizer que não falei das flores, as pequenas de lá estão usando cabelo repicado e franja. Uma donzela muy hermosa é que me atentou ao fato. Antes que pensem besteira.

Viram por que elas gostam dos caras que hablan espanhol? Vamos recuperar nosso terreno, pôxa! Basta de Beckhan. Viva Maradona!

Escrito por Careca às 11h33

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 03/12/2006

Vamos triturar seus membros!


Nosso correspondente em Londres envia mais uma colaboração. Aproveitem enquanto os artigos são gratuitos. Logo cobraremos em euros.

POR BIG BEN

Os leitores deste site são pessoas reconhecidamente preocupadas com os rumos da política internacional. Então vão ter um motivo a mais de preocupação ao saberem que as relações entre o País de Gales e a Nova Zelândia chegaram a um dos pontos mais baixos de sua história.

O motivo está longe de poder ser considerado frugal. Antes de um jogo de rúgbi entre os dois países, em Cardiff, os neozelandeses se recusaram a realizar sua famosa dança ritual em frente ao público presente. Bom, talvez seja frugal. Mas não vou ser eu em quem vai dizer isso aos trogloditas que levaram o treco a sério.

Ninguém sabe nada de rúgbi, o que faz bastante sentido, mas todo mundo já ouviu falar das tradicionais danças maoris da Nova Zelândia. São coloridas e animadas e sempre têm uma função, e volta e meia um dignatário estrangeiro é visto nos telejornais pagando um sapo em frente a um maori um pouco mais entusiasmado.

No caso especifico do rúgbi, com sua dança, chamada haka, os All Blacks comunicam aos adversários que, no decorrer da partida, sua moral será arrasada e seus membros triturados sem piedade, enquanto o valente time neozelandês caminha de forma célere, e pisando sobre suas cabeças, rumo a uma vitória gloriosa. Ou coisa que o valha. Sem dúvida uma mensagem das mais edificantes, ainda que não chegue ao mesmo nível das invectivas do grande Mike Tyson em direção a Lennox Lewis. (“Eu vou devorar você. Eu vou devorar os seus filhos.”)

O macho mais radical, aquele que não considera aceitável nenhum tipo de contato com outro integrante da espécie, pode ter lá suas reservas quanto ao rúgbi, um esporte em que durante boa parte do tempo os jogadores ficam com as cabeças entaladas no sovaco dos companheiros, orelha a orelha com vários adversários, e em alguns lances até impulsionam um colega exercendo pressão exógena nas suas coxas e nádegas.

Mas quem já viu um neozelandês aplicando um “tackle” em um galês (com aquela cara de: eu bem que te avisei) vai pensar duas vezes antes de fazer tais considerações em voz alta em um bar de rúgbi, como o que eu freqüentei durante um tempo nas alturas de Regent's Park.

Uma vez até fui a um jogo de rúgbi, nada menos que da primeira divisão inglesa, e duas coisas me chamaram especialmente a atenção. A primeira é que sempre tem um jogador estendido no gramado, gravemente contundido, e, apesar disso, o jogo nunca pára, com o atendimento tendo que ser feito em meio aos lances mais sanguinários. Ou seja, médico de time rúgbi, este com certeza tem que ser macho.

Por outro lado, nas arquibancadas, torcedores dos dois times assistiam à partida lado a lado, irmanados, com mulher e filhos, enchendo a caveira de cerveja e, apesar de seu tamanho médio corresponder ao de um contêiner de boas dimensões, sem arranjar encrenca com ninguém.

O que talvez não diga grande coisa a respeito da macheza destes torcedores. Ou não tem nada a ver? Não sei não. Mas certamente não vai ser eu quem vai botar o assunto em discussão.

Escrito por Careca às 21h48

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