“Antigamente o homossexualismo era proibido no Brasil…Depois, passou a ser tolerado. Hoje é aceito como coisa normal…Eu vou-me embora, antes que se torne obrigatório.”
Gostaria que ao menos uma de nossas 9 leitoras se manifestasse sobre o tema proposto: “Sunga branca: mito ou realidade?”. O quiprocó é o seguinte: há quem diga que se um “macho” usar sunga branca para ir a praia é tiro certo, ele é “pero no mucho”.
Já se o espécime em questão for como eu (sem trocadilho) que vai de sunga vermelha, estilo “bombeirão”, para resfriar a mangueira, é macho até debaixo d´água.
Nada é certo nesta vida, tudo muda, vocês não viram, até o Palmeiras conseguiu ganhar neste final de semana, mas eu juro que aquele que usa sunga branca está a um passo de depilar as costas, fazer tratamento de beleza e até mesmo experimentar algo novo demais para este velho gordo, adepto da “old school”. Tenho um amigo gay de um grande jornal de São Paulo que vivia falando: “esse está na sala de estar da minha turma”, “aquele já entrou no quarto e não gostou do que viu”, “fulano é enrustido”, “aquele a hora que entrar na sala de estar não sai nunca mais” , bom ficaria aqui listando todo tipo de “macho pero no mucho” apontado por ele, mas uma coisa é certa segundo sua teoria: camisetinha baby look ou sunga branca é quase tiro certo, mas se usar as duas não há margem para a dúvida.
Gostaria de saber se as mulheres também possuem o mesmo olho clínico do meu amigo e qual o papel que a cor da sunga na praia pode ter na escolha do parceiro?
Pelo amor de Deus, respondam-me! Afinal, começo a natação amanhã e preciso comprar uma sunga e descobri que a branca é última moda. E agora o que eu faço?
Escutei por aí que a despedida da seleção portuguesa de futebol foi um evento memorável. Sabem como é, quando os guerreiros saem para um evento da dimensão de uma Copa do Mundo, a nação inteira resolve desejar boa-sorte para os bravos e corajosos machos da espécie que terão brios suficientes para defender a pátria.
Sempre foi assim. Mesmo tendo freqüentado apenas as séries normais do primeiro e segundo graus, aprendi alguma coisa sobre batalhas (gosto principalmente das Guerras Púnicas –por causa da sonoridade, o confronto mesmo não sei sobre o que é).*
Ah, e também assisto a filmes. Portanto entendo que Alexandre foi grande e que os gregos aprontaram uma boa pra cima de Tróia (na verdade, quem aprontou mesmo foi a Helena, mas deixemos a bravata para outro artigo).
Ou seja, minha gente (como diria Elle), nós pisamos feio na bola com os nossos representantes na Alemanha. A tradição pede que os caras recebam todas as honras deste e de outros mundos. Pois a moçada pegou um avião, se mandou para a Suíça e nada... Poucas flores, meia dúzia de gritinhos e um ou outro fã ardoroso cantando o hino nacional (sem contar que é brega demais cantar o hino em saguão de aeroporto).
Ei, cadê os fogos, as naus jogando pétalas da mais rara rosa, os beijos enlouquecidos das bacantes, a festa popular implorando fortuna? Putz, como somos ingratos...
Em compensação, os irmãos de lá deram uma lição de civilidade e competência. Nem parece que nos descobriram há mais de 500 anos. Não aprendemos nada?
Pois bem, ou melhor, ora pois. Que festa bonita, pá. Vinte mil pequenas... Repetindo: VINTE MIL MULHERES formaram uma bandeira humana (de Portugal, claro) para o deleite dos jogadores e da comissão técnica da seleção bigoduda, que assistiam a tudo, ao vivo, posicionados nos camarotes do estádio onde se realizou a bacanal (leia-se: cerimônia).
Vinte mil mulheres vestidas com as cores da bandeira portuguesa e acenando para os moçoilos. Todas desejando (hummm) sucesso nos gramados além Lisboa. Uma média de mil mulheres para cada jogador convocado. Isso nem na Arábia Saudita. Mais do que qualquer sultão poderia sonhar em mil e uma noites.
E Felipe Scolari estava lá (para os que não vivem na Terra, ele é treinador de Portugal). Sem nem olhar pra trás, sem nem imaginar que estava com um oceano de distância da mais completa miséria de sentimentos. Que isso sirva de lição, meu povo. Não dá pra ganhar o caneco com uma despedida pífia. Agora já era. Os guerreiros estão prestes a entrar na batalha. E sozinhos. Sem nem uma bela despedida para embalar seus sonhos de conquista.
Guardem isso: se os canarinhos perderem essa, a culpa é das nossas mulheres. Nenhum passarinho consegue alçar vôo sem a ajuda de algumas delas.
Vinte mil... Vinte mil em ação pela seleção portuguesa... Depois dizem que são burros, ora, pois. E viva Portugal!
* claro que sei o que foram as Guerras Púnicas. Pesquise. Vale a pena.
Atenção: trecho inédito de pesquisa sobre os gringos
Quero compartilhar uma coisa com vocês. Atenção: é um estudo polêmico e inédito, portanto qualquer informação publicada aqui pode me comprometer seriamente. Mas confio nas nossas nove leitoras. Se o Zeca Camargo tentar comprovar estas linhas no "Fantástico", eu processo todas vocês.
Vamos lá. Estou em Arraial do Cabo (aliás, em um local sugerido pelo formidável Seu Manuel, notório crítico de viagens e autor -em breve- do blog "Camiseta por Baixo") há alguns dias finalizando minha tese de mestrado (ou doutorado? não me lembro). O título da bagaça: "Novos Paradigmas do Comportamento da Fauna e Flora Estrangeira nos Lugares Públicos do Litoral Carioca". Traduzindo: como a gringaiada se comporta nos botecos e restaurantes praianos após meia dúzia de biritas.
Vocês podem achar que isso é uma grande brincadeira. Mas não. O assunto é relevante e merece cuidados de nossas autoridades (diria que a violência em SP é fichinha perto do que estou por descobrir). Sob a orientação do venerável José Ortega Muñonez, professor sem mérito da universidade Defensores Del Chaco, do Chile, pretendo mapear as atitudes dos estrangeiros quando estão se divertindo na região dos lagos (sem duplo sentido) fluminenses (os vascaínos deixarei para depois da conquista da Copa do Brasil).
Com isso, mostrarei exatamente o que pensamos sobre nossos comparsas deste mundo (de meu Deus? ou do PCC?). Legal, né? Já entrevistei 50 garçons e dois pinguins de geladeira. Sim, tive que ingerir quantidade considerável de álcool. Tudo pela ciência exata dos botequins.
Adianto com exclusividade um trecho de tal compêndio (sinceramente espero que vocês não usem isso por aí...).
Por enquanto, eis certos resultados:
Povo mais pão-duro: argentino.
Povo mais generoso: suíço
Povo mais estúpido: argentino (mas só os de Buenos Aires -os de Mar del Plata são bacanas)
Povo mais gentil: chilenos
Povo mais galinha: italianos
Povo mais gay: espanhóis
Povo mais comilão: alemão
Povo com a maior quantidade de barangas: alemão
Povo que nunca aparece (categoria: cagando e andando para o resto do mundo): inglês
Povo com as melhores "cocotas" (aqui ainda falam assim): todos
Povo sem-noção do ridículo: norte-americano (incluindo os canadenses)
Povo mais estúpido do que os argentinos: paulista
Estou indo bem, não? Agora, você me pergunta: e por que este texto está no sítio MPNM? Aliás, os mais inteligentes vão além e gritam: essa porra interessa pra quem?
Ora, direis, ouvir estrelas. Ou melhor, e vocês acham que mestrado (ou doutorado?) interessa pra alguém, cacete?
Agora preciso conversar com o Juan (simpático restauranteur que sabe tudo sobre os costumes locais) e tomar meu uísque. Leiam com cuidado os números acima. Revelam muito sobre nós. E, por favor, não publiquem por aí.
Para lidar com bandido, há de ter jogado bola na rua!
Convenhamos, para lidar com bandido o sujeito há de ter no mínimo jogado bola na rua e não me venha com campinho de condomínio, que aí não vale. A beleza do futebol está na diversidade: malandro, vagabundo, trabalhador, maconheiro, proxeneta, moleque, playboy, gay e velho. Você encontra de tudo em campo, mas desde que o campo não seja em condomínio, certo?.
O que esperar de parte do comando da segurança pública em São Paulo, um monte de gente, que talvez a maior aventura tenha sido roubar o carro do pai para dar uma volta no condomínio. Gente que durante sua iniciação sexual, ou o já mundialmente famoso troca-troca, sempre ia primeiro e depois ficava com a calça na mão porque a molecada mudava de brincadeira e ninguém cumpria a palavra.
Negociar com bandido há mais de uma década, deu no que deu: “Pânico em SP” (aliás já foi título de música). Autoridades, por favor, os bandidos são sacanas como os seus coleguinhas de troca-troca na pré-adolescência. Pensem, afinal pré-adolescência só serve para uma coisa: aprender.
Bom, tudo isso é para dizer que apesar do absurdo da maior cidade da América Latina ter parado e assistirmos cenas dignas de “Day After”, não me conformo com a morte de mais de três dezenas de policiais, que diferentemente de seus chefes, jogaram bola na rua e sabem que malandro não tem palavra e que se você oferecer uma pizza ao vagabundo e ele pedir um X-Picanha, vai passar fome ou imaginar que está comendo sanduíche enquanto mastiga uma deliciosa redonda de muzzarela.
Só quem cresceu em um bairro operário, como eu, sabe a força que esses jovens policiais fizeram para não ceder ao crime, que aliciava por meio do seu vizinho de carrão, o banqueiro do bicho cheio de ouro ou o “bom da boca” rodeado de mulher bonita. Crescer, seja da Radial Leste em diante ou do Shopping Interlagos para lá, é duro.
Até hoje, como jornalista ainda trabalho com muita gente,como as nossas autoridades, que foi fazer jornalismo para corrigir o mundo, mas nunca pegou a Radial Leste até o fim para ver o que ele tem de errado.
Não aceito ver o meu povo passar por isso, sim digo meu, porque ele tem rosto, endereço, tem e são filhos, esposas ou maridos de outras pessoas e tudo isso é muito diferente do povo representado pelas estatísticas frias do governo e mais ainda distante dos números da manchete dos jornalões.
Não aceito sair do meu trabalho mais cedo, não aceito a lógica da violência indiscriminada , assim como não aceito a lógica de muitas ONGs e setores pseudo preocupados com os direitos humanos que vivem repetindo que faltam políticas sociais.
Não é a falta de políticas sociais que gera explosões de violência, pois no nosso país elas faltam ao borbotões e se o meu povo seguisse esta lógica, há muito já haveria tido uma revolução e muitos dos corruptos que hoje fumam cubanos e bebem vinhos franceses cotados em dólar, teriam sucumbido na forca ou quem sabe na guilhotina.
É a falta de gravidade, exemplos e solidariedade que cria monstros dispostos a tudo para ter a roupa de marca, o tênis da moda, em uma espécie de ciclo vicioso e odioso que gera mais e mais exclusão e torna a base da pirâmide uma massa disforme e envergonhada por ser ela mesma, incapaz sequer de se olhar no espelho.
De fato, está cada vez mais difícil fazer piada em um país tão ingrato com quem é responsável pela criação de sua verdadeira riqueza: sua gente!