Macho pero no Mucho
 
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 14/03/2006

Macho gosta de poesia (só não entende)

Dia 14 de março é o Dia Nacional da Poesia. Quando o assunto é este, eu me sinto com a síndrome de Asperger. Não consigo ler as entrelinhas, sofro com as metáforas, não entendo a diferença entre o carteiro e o poeta e sempre quero saber afinal de contas quem é o mocinho da história.

 

Não que eu não goste. Macho que é macho adora poesia. Mas não consegue entender patavina. Isso porque pra ele há apenas três grandes temas que mereçam linhas poéticas: futebol, mulher e cerveja.

 

Aí surgem os problemas. Quando pensamos num Corinthians e São Paulo e sua carga dramática... Começamos a xingar logo o goleiro e o juiz. Tchau poesia.

 

Quando pensamos numa mulher realmente deslumbrante, digna dos nossos sonhos, companheira e... Começamos a tirar a roupa. Tchau poesia.

 

Quando pensamos num copo gelado lotado de uma cerveja na temperatura certa, com um colarinho na medida... Começamos a encher a cara. Tchau poesia.

 

É complicado demais buscar abstração no mundo dos machos.

 

Sou humilhado pelos poetas. Eu confesso: não consigo entender ou me emocionar com 90% dos poemas. Sou uma fraude, eu sei. Não devem existir outros como eu. Tirando as sacanagens do Vinícius (que soam sempre como música, então fica mais fácil) e as porradas do Leminsky, sou um analfabeto das rimas.

 

Todos nós sabemos que esse gênero foi inventado por alguém que era muito mais esperto do que a gente e não estava com, digamos assim, vontade de pegar no pesado. Então, ele descobriu que misturar a linguagem, coisa que demoramos anos pra desenvolver, poderia ser uma boa para ocupar o tempo dos outros.

 

Quando ele sacou que dava pra pegar mulher com o truque, aí a coisa fluiu de vez. Imaginem que a situação foi mais ou menos essa:

 

Antes da poesia

Minha carruagem está com um problema na roda, por isso chegarei atrasado ao compromisso.

 

Depois da poesia

Roda... Roda... Rodou. Oh, céus, por que a carruagem insiste em não realizar seu percurso? Será que ela faz de propósito, sabendo da minha ânsia por te encontrar? Roda... Roda... Quebrou. E meu amor mais uma vez tem que esperar o mecânico chegar.

 

Guardo “Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século” num lugar de destaque, como se fosse minha “Bíblia”. Todos os dias viro uma página e leio, numa espécie de penitência, para que sempre eu lembre da minha ignorância.

 

Os poetas me colocam na lona, de onde jamais deveria ter saído. Minha empáfia em explicar o mundo, meu desejo de ser mais inteligente do que os outros, nada disso sobrevive ao meu choque diante de uma poesia.

 

Em resumo: poesia é o espanto diante da vida.

 

PS: Umas linhas pra vocês entenderem como não existe poesia por aqui.

 

ELAS

 

Gisele é o andar

Vera o olhar

Luma o rebolado

Luana a graça

Luciana a sacanagem

Você a morte



Escrito por Careca às 15h46

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 13/03/2006

Record extingue o "Tudo a Ver"

 

A Record acaba de extinguir o programa Tudo a Ver. É meus caros, para quem era fã do jornalismo descontraído e da nossa bela e simpática colega Patrícia Maldonado o sonho acabou. O programa já havia sido apresentado por Paulo Henrique Amrin, que agora comanda o Record Espetacular.  O meu irmão gemêo, Facciolli, segue com o jornal da manhã.



Escrito por Gordo às 14h48

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Homens pedem carinho em praça pública

Em poucos dias, Lula, Ronaldo, o Fenômeno, e Rubinho Barrichelo soltaram o verbo e disseram que precisam de carinho. O que é isso, companheirada? Se este texto estivesse no “Pasquim”, seria assim:

"Lula precisa de carinho. Ronaldinho precisa de carinho. Rubinho precisa de carinho. Gustavo Kuerten precisa de carinho. Bush precisa de carinho. Saddam precisa de carinho. José Dirceu precisa de carinho. Collor precisa de carinho. Antônio Lopes precisa de carinho. Palocci precisa de carinho. Só os machos não precisam de carinho."

Os homens estão carentes, minha gente. Enquanto esses daí lamentam a falta de afagos, a mulherada ri à vontade em todos os cantos. A presidente do Chile foi festejada e apareceu feliz da vida. Tem carinho de sobra de seu povo, feito uma Evita futurista.

Condoleezaa Rice se firma como a pequena mais poderosa do globo. A “legalmente loira” Reesee Sopa de Letrinhas fatura o Oscar e mais de US$ 17 milhões por filme. As russas estão dominando até mesmo a beleza de um jogo de xadrez. As vilãs e mocinhas nas novelas são muito melhores (ou piores) do que os barbudos. E estão gargalhando, passeando pela vida.

Ei, os gays também nem querem mais saber desse negócio de implorar compreensão. Os caubóis deram um banho nos cinemas. O Oscar premiou um sujeito que interpretou um homossexual. As passeatas dessa turma são sempre festas cheias de energia, plumas e paetês. Não ficam com palavras ao vento, se ajoelhando no milho atrás da salvação pelo afago.

A vida parece rosa para mulheres e simpatizantes. Antes símbolos do snif-snif, da frescura do sexo frágil, agora elas parecem aquela menina Luka cantando: “tô nem aí”. Em compensação... Os homens pedem carinho, tapinhas nas costas, beijinhos de perdão. Mais. Sempre mais. E em público, como mendigos de sentimentos.

Que mundo, minha gente, que mundo.


Escrito por Careca às 08h30

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 09/03/2006

Até Gallagher (Oasis) acha Beckhan maricas

O MPNM realmente está conseguindo conquistar corações e mentes, quem diria até mesmo do cenário pop internacional, desta vez ninguém menos do Liam Gallagher, do Oasis, “menino de ouro e bad boy do britpop”, nos deu razão sobre a quantidade de frescura no jogador da seleção da Inglaterra David Beckham.

Em entrevista ao repórter Thiago Ney, da Folha de São Paulo, publicada em FolhaOnline, o músico metralhou ao ser indagado sobre o futebol: “Não sou daqueles muito patriotas quanto à seleção inglesa. Acho que se jogar direito e merecer ganhar, você ganha. Mas às vezes eles parecem jogar como mulheres. Beckham e outros...Maricas.”

Nota 10 para a sensibilidade do músico ao referir-se ao jogador das 1001 cuecas como excessivamente metrossexual, sem eufemismo, afinal isso é coisa de petista e suas operações não contabilizadas também conhecidas como Caixa 2,  “maricas” mesmo, por que não?

Nota 0 para o mesmo Gallagher ao afirmar que os caras jogam que nem mulheres e por isso perderiam, afinal se isso valesse para os Estados Unidos, que tem a melhor seleção feminina de futebol do mundo, os americanos já teriam levado uma Copa para casa.

Bom, futebol a parte, vamos celebrar esse novo adepto da cultura MPNM, afinal ele pode levar nossos conhecimentos ao Velho Continente e quem sabe eu e o Careca até conseguirmos um patrocínio para seguir com a nossa cruzada cívica em defesa de um macho simples e feliz, destaque, quando digo simples não quero dizer simplório, hein?



Escrito por Gordo às 10h00

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Não perca nova enquete sobre Chico Buarque

A gente aqui não tem medo não e coloca o dedo (com todo o respeito) na ferida. Acesse a nossa nova enquete. Pela primeira vez um órgão (com trocadilho) sério e de responsa resolve descobrir se o Chico Buarque ainda é o símbolo sexual da moçada. Desde que ele apareceu com "A Banda" de fora, as meninas suspiram por aquele olho (sem duplo sentido). Será que ele passou até agora incólume por todas as revoluções sexuais dos últimos 40 anos? Votem na página principal do nosso sítio.

Escrito por Careca às 09h59

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 08/03/2006

James Bond quer aparecer pelado em filme

Gostaria de oferecer um presente especial para todas vocês importado da Inglaterra. A boa notícia do Dia Internacional da Mulher vem tarde, mas finalmente dá as caras: James Bond irá aparecer pelado, nu, com tudo de fora, no próximo filme da série 007.

 

Pelo menos esta é a vontade do ator Daniel Craig, 37, o próximo a encarnar o agente secreto mais pop, mais famoso e mais sexy (ops, quer dizer, é o que comentam por aí) do cinema.

 

Leiam o que o ator disse ao jornal “Daily Mirror”: “No mundo de hoje, esperamos que as atrizes fiquem nuas. Por que não esperarmos o mesmo dos homens?”.

 

Não resta dúvida que quando a obra (com trocadilho) do Craig bater nas telas, a polêmica será imensa. Então, soltamos mais algumas frases do preferido da rainha: “Disse aos meus chefes que estou disposto a fazer uma cena de nudez frontal completa. Não sou tímido, e Bond também não seria”.

 

Eita. Ou seja, sorte da mulherada e dos mocinhos que curtem a parada viverem num mundo assim. Imaginem, meus amigos, que Sean Connery, Roger Moore, Timoty Dalton e Pierce Brosnan (e outros frilas) não tiveram a chance de mostrar suas armas secretas e se conformaram em faturar as pequenas e esconder os atributos embaixo dos lençóis.

 

Porém, nós, marmanjos, sempre podíamos contar com a complacência dos produtores, ávidos para nos mostrar ângulos inusitados da bela coleção de mulheres do sujeito.

 

Viram? O mundo está mudando, hein. Já tem fã começando a torcer para que o velho Bond, James Bond, também tenha casos com meninos. Ou que visite um rancho suspeito nos Estados Unidos e... Bem, não quero entrar novamente nessa história.

 

Fato: muita gente irá rezar para que a partir de agora Brad Pitt, Tom Cruise e Rodrigo Santoro sejam agentes a serviço do Império Britânico apenas para usarem a pistola com mais desenvoltura.

 

Pra completar, importante pesquisa enviada por leitora:

 

O QUE AS MULHERES ACHAM DE SEU BUNDÃO:

 

85% acreditam que ele é muito gordo

10% acham que ele é muito magro

5% não estão nem aí e amam seu bundão, afinal se casariam com ele de qualquer jeito



Escrito por Careca às 15h54

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 07/03/2006

Bolo de Araruta

Bolo de Araruta

Ingredientes:

4 ovos separados
2 xícaras (chá) de açúcar
250g de araruta
1 colher (chá) de fermento em pó
Essência de baunilha a gosto

Bata as claras em ponto de neve, junte-lhes as gemas, o açúcar, a araruta e, por último, o fermento e a essência.

Leve ao forno (regular) em forma untada de manteiga.

OBS: A receita foi tirada do clássico Dona Benta, vale a pena ressaltar que a araruta é uma planta originária das regiões tropicais da América do Sul e que infelizmente está em via de extinção. Quem quiser mais informações sobre a araruta, deve acessar o site da Embrapa.



Escrito por Gordo às 11h47

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MPNM é censurado pela PPC!


Calma, não fiquem preocupados com o título da nossa coluna de hoje, não é PCC (Primeiro Comando da Capital), afinal nós não somos o Gugu, viu?, mas sim PPC (Patrulha do Politicamente Correto), que resolveu atacar de vez o MPNM (Macho Pero No Mucho), depois que o Careca resolveu escrever um ótimo texto intitulado “Hollywood das Loucas” em uma escrachada referência ao filme “Gaiola das Loucas” e a fetichização, já ouviram falar do Bakhtin, do universo gay na indústria do consumo de massa.

Muita gente reclamou, chamou o Careca, logo ele que está mais para lá do que para cá, de gay, enrustido, ignorante e uma série de ignomínias que a Internet possibilita a todo tipo de valentão, valentona ou pero no mucho.

Agora uma coisa que nos espantou foi a ignorância de alguns dos comentários e e-mails que chegaram até o MPNM. Reclamam do nosso português, chamam o site e o blog de homofóbico, agora convenhamos combatemos em última instância a burrice, por isso vamos aos fatos, gostaria de instruir nossos leitores gays sobre as estratégias de persuasão utilizadas pelos movimentos de defesa desta minoria especificamente, pois muitas pessoas batem no peito sem ao menos saber porque estão pensando desta ou daquela forma.

Em 1989, dois pesquisadores brilhantes graduados na Universidade de Harvard, Marshall Kirk e Hunter Madsen – o primeiro um pesquisador em neuropsiquiatria, e o segundo perito em táticas de persuasão públicas e estratégias sociais de mercado, ambos homossexuais, escreveram um clássico chamado “After the Ball: How América Will Conquer Its Fear & Hatred of Gays in the 90s” (Depois do Baile: Como os Estados Unidos Vão Dominar Seu Medo e Ódio de Homossexuais nos Anos 90).

Muitos dos argumentos utilizados por aqueles que nos criticam estão neste livro maravilhoso, que todo mundo deveria ler, mas que infelizmente pelo que pude notar nem mesmo parte dos militantes conhecem. Devo salientar que lideranças inteligentes como Luiz Mott, por exemplo, conhecem sem sombra de dúvida esta obra.

Quando gays, lésbicas ou simpatizantes nos definem como anti-homossexuais, eles tentam obviamente nos demonizar e apresentar-nos tão maus quanto possível, de tal modo que o público em geral se sinta constrangido na nossa presença e nos evite. O livro ainda recomenda: “tacha-los de nazistas, racistas, anti-semita e até mesmo excêntricos desequilibrados”.

Ora, vocês poderiam pelo menos conhecer um pouco sobre a própria história para evitar este constrangimento, ambos (Gordo e Careca), somos jornalistas temos um sem número de colegas gays com quem sempre tivemos um excelente relacionamento e só por não sermos homossexuais, ou até agora não sermos homossexuais, isso não nos torna um demônio medieval e preconceituoso que vocês gostariam.

Não vamos tornar o serviço de vocês mais fácil, abaixando nossas calças, pedindo arrego, desculpas por algo que verdadeiramente não tenha acontecido.

Para provar parte do nosso repúdio a censura a qual tentaram nos submeter, protestaremos como nos tempos da ditadura, publicando a seguir no texto abaixo uma receita de bolo, para mostrar que todo tipo de totalitarismo é burro, seja Hitler ou seja Stalin, não há inteligência onde há massa.

I’m sorry!



Escrito por Gordo às 11h47

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 06/03/2006

Meus heróis morreram de tédio e os do Cazuza de overdose!

Olha, estava eu atualizando minhas leituras e cheguei a conclusão que diferentemente dos heróis do Cazuza que morreram de overdose,  os meus morreram e morrerão de tédio neste país nádegas, afinal ao contrário do que dizia Oswald ,descobrimos este ano que nem só burguês tem cara de bunda, não é companheiros? 

O leitor deve estar se perguntando morreram ou morrerão, quem serão os heróis desse gordo?

Pois bem, meus heróis seguem a linha literária, da herança e tradição irreverente e libidinosa da poética de um Gregório de Matos, o Boca do Inferno, do “portuga” Bocage e atualmente de ninguém menos do que o genial Glauco Mattoso, cujo nome artístico, nossa parece coisa de puta, é inspirado na doença que o deixou cego em 1995, o glaucoma.

Não posso fazer injustiça, portanto sinto-me obrigado ainda a citar Torquato Neto, Paulo Leminski e Chacal, afinal todos eles lutavam contra o provincianismo político e cultural que ainda assola o Brasil, né Gilberto Gil?

Todos eles possuem um sarcasmo que eu invejo, capazes de atrair para si a fúria da Igreja, do Estado e tudo o mais que se atribua autoridade neste “paizinho” cheio de “doto”. 

Gregório de Matos e Bocage foram geniais em seu tempo e a imbecilidade de parte de seus contemporâneos lhes foi cruel, mas idiossincrasias históricas a parte, cá entre nós,  existe poeta mais queer do que um Glauco Mattoso?

O cara é cego, homossexual, sadomasoquista e pedólotra e faz questão de reafirmar isso em sua literatura sem escorregar no piegas de militar ou levantar esta ou aquela bandeira, fator importante de se louvar em tempos de Bono Vox Chupa Toda, afinal, convenhamos de frente para Ivete Sangalo quem não chupa?

Escrever com paixão tem sido o objetivo deste site, garanto a todos vocês, obviamente nem sempre estamos inspirados, via de regra quase sempre conseguimos ser até engraçados, mas a paixão a confrontar este mundo idiotizado é que move nosso desejo de escrever compulsivamente como forma de exorcizar os sapos nossos de cada dia em uma novena babaca que parece não ter fim.

Cada vez mais, fico convencido de que Leminski bebeu até morrer porque não suportava a imbecilidade e arrogância de seu tempo, assim como Torquato matou-se por não se conformar com a institucionalização da imbecilidade, a idiotice já começava a virar patrimônio nacional, que o diga a Imelda Marcos da cultura brasileira, o chefe da Bahia, Caetano Veloso.

É triste mas é verdade! Em tempos de Brokeback Mountain existe afronta maior a “inteligentsia” em ser sexualmente politicamente incorreto como um Galuco Mattoso que não é um gay galã ao sabor da classe média verde e amarela globalizada, afinal burrice é como gripe aviária ninguém liga até ver que ela bate na sua porta.

Ao Glauco, gostaria de celebrar sua produção intelectual que enfrentou os jornalões com a edição de Jornal Dobrabil, sátira direta ao Jornal do Brasil, que representava os interesses da elite intelectual dos anos 70.

Transgressão é a palavra-chave de nosso tempo acomodado, e isso sobra  a todos os autores citados neste texto, que singelamente quer ser uma homenagem àqueles que tombaram diante da opressão da burrice da maioria e aqueles que seguem incomodando os imbecis, entrincheirados muitas vezes apenas no seu intelecto combativo, desmanchando o coro dos contentes. A todos vocês, muito obrigado! 

 



Escrito por Gordo às 17h05

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"Um país se faz com homens, mulheres e um nheco-nheco gostoso."

"Um país se faz com homens, mulheres e um nheco-nheco gostoso." (Ditado Popular)

Escrito por Gordo às 17h04

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 04/03/2006

Careca explica piada polêmica sobre gays

Devido à polêmica causada pelo texto “Hollywood das Loucas” (leia comentários abaixo), o sítio/blog Macho Pero No Mucho achou por bem convocar o seu Conselho Editorial para averiguar a situação e procurar sanar todas as dúvidas.

Assim, após análises, discussões (alguns até saíram com o rosto arranhado) e citações filosóficas, foi determinado que o articulista Careca receba direito de resposta por meio de uma entrevista.

Dessa maneira, achamos que restabelecemos a seriedade a essas páginas. Pedimos desculpas a todos que se sentiram ofendidos e publicamos na íntegra o julgamento de Careca.

CONSELHO EDITORIAL – Careca, por que escrever um artigo como “Hollywood das Loucas”?
CARECA – Senhores conselheiros e membros do júri... Em nenhum momento quis ofender minorias, maiorias ou maiorais. Uma amiga me enviou a notícia sobre a irônica declaração de George Clooney. Já que o sítio discute justamente os rótulos sexuais no mundo contemporâneo, achei que daria um belo artigo. Minha intenção era demonstrar, por meio de um tom humorístico e iconoclasta, que sempre é possível duvidar de qualquer onda politicamente correta. Um texto anarquista, na medida em que detona qualquer dogma e orientação severa. A idéia era demonstrar que mesmo quem jamais se preocupou com questões polêmicas arranja um jeitinho de entrar no debate pra não ficar por fora (leia-se: faturar algum). Afinal, os homossexuais estão na moda. Resumindo: foi uma blague.

CONSELHO EDITORIAL – Mas e o título? Não é agressivo?
CARECA – Não acho. É um trocadilho com o divertido “A Gaiola das Loucas”, um filme que explora justamente os gays como pessoas totalmente integradas ao meio artístico. Ali, já estava provado que ser gay (cacófato) pode render muito para os heterossexuais. Em nenhum momento acho que ofendi qualquer pessoa, de qualquer orientação.

CONSELHO EDITORIAL – Você acha o texto engraçado?
CARECA – Olha, sou bem crítico com tudo o que faço. Sinceramente? Acho a piada do Wolverine engraçada. O resto...

CONSELHO EDITORIAL – Você assistiu ao “Brokeback Mountain”?
CARECA – Sim. E gosto bastante. Aliás... Rarara. Desculpe.

CONSELHO EDITORIAL – Por favor, compartilhe a piada...
CARECA – Uma amiga disse que descobriu a ligação das camisas (quem viu o filme sabe do que estou falando) com as personagens: ambos não saem do armário. Rarara. Boa, vai...

CONSELHO EDITORIAL – Humpf. Não tem graça. Continuamos... Gosta dos filmes do Almodóvar?
CARECA – Acho que a pergunta não é pertinente.

CONSELHO EDITORIAL – O que você achou dos comentários dos leitores?
CARECA – Sublimes. Esse espaço existe justamente para promover o debate e o livre pensar. Não existe censura. Claro, as ofensas pessoais me deixaram abatido. Mas creio que isso passa com uísque.

CONSELHO EDITORIAL – E aqueles que te acusaram de homossexual?
CARECA – Bem lembrado. Achei sintomático. Quando querem me xingar, escrevem que sou bicha... Estranho, não?

CONSELHO EDITORIAL – Mas você se sentiu ofendido?
CARECA – Não. Mas se eu fosse filólogo... Só não fui mais açoitado do que a língua portuguesa.

CONSELHO EDITORIAL – Você não está sendo engraçado...
CARECA – Fiquei um tanto abalado com essa repercussão desmedida. Posso apenas pedir desculpas pela falta de talento. Prometo melhorar (se me oferecerem outra chance).

CONSELHO EDITORIAL – Obrigado. Foi muito esclarecedor.
CARECA – Obrigado. Espero que não desistam de mim nem me esqueçam nem me deixem sozinho. Ou, me troquem pelo Millôr, que soltou essa sobre a onda politicamente correta: “Todo mundo com tanto medo de ser chamado de machista que já tem até feminista fingindo feminilidade”. Sacaram?


Escrito por Careca às 19h58

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 02/03/2006

Vem aí "A Hollywood das Loucas"

A culpa é dos caubóis. Foi só abrirem a porteira (entre outras coisas) no filme “Brokeback Mountain”, que as ovelhas resolveram passar e faturar. Antes acuado, discriminado e açoitado, o público GLS hoje é “o darling” (com muita purpurina) de Hollywood e suas estrelas.

 

Bom, demorou pra tudo virar uma grande farra de consumo, uma Hollywood das loucas. Um jornal inglês publicou que até o Brad Pitt quer fazer um papel que defina a posição (sem trocadilho, vai...) do homossexual masculino na sociedade hoje.

 

Eles podem. Claro. Até porque se a moda pega, daqui a alguns anos o Spielberg fará o “primeiro filme com herói heterossexual em dez anos”. E o senhor Jolie resolverá atacar de machão novamente para seduzir as carentes Thelmas e Louises (que serão desprezadas daqui pra frente).

 

Tudo faz parte do bonito jogo dogmático dos dias de hoje, da globalização, essas coisas. A unanimidade... Bem, vocês se lembram do velho Nelson.

 

Agora leiam o que George Clooney disse numa entrevista: “Em ‘Batman’ eu estava de roupa de borracha, com bicos do peito de borracha. Poderia ter feito o personagem heterossexual, mas fiz ele gay”.

 

Ahã? Quer dizer que... Por favor, meu dinheiro de volta. Sem preconceitos, mas eu achei que... Ah, deixa pra lá. Eu disse que os caubóis escancararam a porta do armário. Agora, todos os atores querem ser pai (ou mãe, sei lá) da idéia de promover a quebra de preconceitos.

 

Já imaginaram se a onda arrasta a todos feito tsunami, pior que furacão no Mississipi? Possíveis declarações que vão pipocar pelas folhas no rastro dessa bomba de Clooney:

 

“É claro que o anel é metáfora do que vocês estão pensando. Observem como acaricio aquele objeto... E o meu olhar quando finalmente consigo queimar o anel? Sem contar que cortaram na edição a cena em que sou sodomizado pelo Gandalf. Fiz um Frodo gay.” – Elijah Wood, sobre a trilogia “O Senhor dos Anéis”.

 

“Por favor, vocês nunca perceberam que ele sente nojo ao beijar a Mary Jane? Um cara solitário, picado por uma aranha, jamais gostaria de encontrar outra pela frente. Traumatizou. Seus passos são de balé e a-do-ro aquelas desmunhecadas pra jogar as teias. Fiz um Homem-Aranha gay.” – Tobey Maguire sobre os filmes do Homem-Aranha.

 

“Tenho certeza que teve um caso com o Lex Luthor. Todo o seu sofrimento é porque ele jamais poderia assumir a homossexualidade de Clark Kent. Uma metáfora perfeita para a época Reagan. Todos tínhamos que ser super-homens, mesmo aqueles que cortavam para os dois lados. Fiz um Super-Homem gay.” – Do diário de Christopher Reeve sobre sua participação nos filmes do Super-Homem.

 

“Usa costeletas, calça jeans rasgada, camiseta justa e leva ferro pelo corpo inteiro. Preciso falar mais alguma coisa? Gay, gay e gay.” – Hugh Jackman sobre seu personagem Wolverine nos filmes “X-Men”.

 

Que mundo, minha gente, que mundo.



Escrito por Careca às 17h57

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 01/03/2006

A sedução de Condoleezza e Scarlett

Duas notícias aparentemente sem ligação e sem sentido saltaram aos olhos (bonito, isso, hein?) deste sítio. Mas, como tudo nesta vida está separado por poucas pessoas de Kevin Bacon, encontrei uma explicação que une os disparates: as mulheres, mesmo aquelas poderosas e já calejadas de sexualidade, não resistem a uma provocação. Bobeou, elas pimbam. É só ficar um pouco distraído que nos atraem, nos seduzem, nos jogam no chão e chamam de lagartixa. Vejam esses exemplos.

Condoleezza Rice, a secretária de Estado dos Estados Unidos de George Bush Filho, considerada a mulher mais poderosa do mundo (ainda acho que é a Gisele ou a Raica, mas tudo bem –alguns dizem ser a Katilce), aparece por esses dias na TV americana fazendo ginástica em uma bicicleta ergométrica.

O show acontece no canal NBC e acompanha a “diplomacia muscular” (com direito a roupa de ginástica e tudo) da maior representante das mulheres no poder. Bom, agora me digam: isso é ou não é pra seduzir ainda mais os machos? Nem me venham falar dos atributos da pequena. Sempre tem quem gosta.

Ora, cansada de sua superioridade profissional e política, a garota ainda quer provar que anda com o corpinho em forma, sendo acima de tudo uma “mulher boa”, além de boa mulher. Não tem jeito. Aposto que vários marmanjos vão procurar sintonizar a atração em busca das armas de destruição em massa escondidas por Condoleezza. Com esse cargo e ainda jogando charme... Agora sim, não tem pra ninguém.

Pra fechar a tese, eis que Scarlett Johansson também entra na jogada. Além de ser f. escrever corretamente o nome das duas atrizes deste artigo, há outra coisa em comum: o prazer da conquista.

A menina Scarlett, além de caprichar na sedução em “Match Point”, acaba de gravar um CD com músicas de ninar. Ai, ai, ai, pobres pais encantados com o poder da caixa de Pandora. Você acha mesmo que o trabalho é pra criançada?

Assim como Condoleezza, Scarlett abusa. Não basta o olhar, o jeito com que pega no cigarro, a calcinha transparente em “Lost Translation”... Não. Ela quer mais. Canções de embalar machos, esses seres absolutamente sem guardas quando o assunto é sacanagem.

Elas conseguiram. Além de ocuparem lugares que antes eram de exclusividade dos homens, continuam explorando nossas fraquezas e nos chamando de “babões”. Oh, sim, só pensamos naquilo.
Pôxa, o que mais elas querem? O negócio é tirar o som das imagens da ginástica da Secretária de Estado e colocar ao fundo a música de Scarlett. Que mundo, meus amigos, que mundo.


Escrito por Careca às 11h46

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